Sines consolida-se como porta de entrada do gás em Portugal e mantém presença residual de origem russa
Cerca de 95% do gás que abasteceu o país entrou pelo terminal de Gás Natural Liquefeito de Sines, com Nigéria e Estados Unidos a dominarem as operações e a Rússia a representar uma parcela minoritária.
O terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) de Sines reforçou o seu papel estratégico no abastecimento energético nacional, ao concentrar cerca de 95% de todo o gás que entrou em Portugal ao longo do último ano analisado. Nigéria e Estados Unidos destacaram-se como os principais países de origem, enquanto o fornecimento proveniente da Rússia manteve uma expressão bastante inferior.
Durante o período em análise, o terminal recebeu 46 navios metaneiros, menos sete do que no ano anterior. Apesar da redução no número de descargas, Sines continuou a assumir uma posição central na entrada de gás no sistema energético português.
A Nigéria representou metade das operações realizadas no terminal, ocupando o primeiro lugar entre as origens do GNL recebido. Os Estados Unidos surgiram logo a seguir, com 43%, enquanto a Rússia correspondeu aos restantes 7%.
A presença de gás russo traduziu-se na chegada de três navios metaneiros, mantendo-se o mesmo número registado no período anterior. A energia descarregada proveniente da Rússia também permaneceu estável, num total de 3,3 terawatts-hora.
Portugal prepara fim das importações russas
A continuidade destas importações ocorre num contexto de transformação da política energética europeia. Portugal pretende terminar a entrada de GNL de origem russa no início de 2027, acompanhando as regras europeias destinadas à eliminação progressiva das compras de gás à Rússia.
Existe actualmente uma única empresa com um contrato de longo prazo associado à importação de gás russo através do terminal de Sines: a espanhola Naturgy. O peso reduzido desta origem contrasta com a forte presença da Nigéria e dos Estados Unidos no aprovisionamento nacional.
Além das operações marítimas, o terminal desempenha também um papel importante na distribuição terrestre de GNL. Foram abastecidas 7.546 cisternas, mais 214 do que no período anterior, reforçando a utilização desta infraestrutura para fazer chegar energia a diferentes pontos do território.
Os restantes cerca de 5% do gás importado por Portugal não passaram por Sines. Essa parcela entrou no país através das interligações da rede portuguesa com Espanha, nomeadamente por Campo Maior e Valença do Minho.
Infraestrutura estratégica para o país
A elevada concentração das importações em Sines evidencia a importância do terminal para a segurança energética portuguesa. A infraestrutura permite receber gás transportado por grandes navios, armazená-lo e proceder à sua regaseificação antes da entrada na rede nacional.
Ao mesmo tempo, os indicadores relativos às redes portuguesas revelam uma melhoria global do desempenho do sistema de transporte e distribuição de gás. O número de interrupções no fornecimento diminuiu, assim como a respectiva duração.
Num cenário europeu marcado pela procura de maior diversificação das fontes energéticas e pela redução da dependência da Rússia, Sines assume, assim, uma posição particularmente relevante. Com 95% do gás importado a chegar por esta via, o porto alentejano afirma-se não apenas como uma infraestrutura logística, mas como uma peça fundamental na estratégia portuguesa de abastecimento e segurança energética.
