Camiões avançam a passo lento para exigir alívio no preço do gasóleo
Camiões
Centenas de camiões percorreram em marcha lenta o trajeto entre Paredes e Coimbra, num protesto de empresas ligadas às terraplanagens contra a subida do preço dos combustíveis. Os organizadores contabilizaram cerca de 450 viaturas de 117 empresas. O Governo reconheceu que o setor tem ficado à margem das medidas de apoio e marcou uma reunião com os seus representantes.
A coluna partiu da zona de Lordelo e atravessou troços da A42, da A41 e da A1, ao longo de aproximadamente 150 quilómetros. Outros veículos juntaram-se ao percurso, que provocou circulação lenta em vários pontos, incluindo nas portagens. A marcha foi acompanhada pela GNR e terminou em Coimbra sem registo de incidentes, segundo o balanço dos promotores.
O protesto reuniu empresas de movimentação de terras, extração de inertes, transportes e outras atividades associadas à construção civil. Para estes empresários, o gasóleo pesa de forma particularmente intensa nas contas: além das deslocações, alimenta máquinas e veículos indispensáveis ao trabalho diário. Os representantes do setor afirmam que o combustível pode corresponder a quase 70% do preço final apresentado aos clientes em determinados serviços.
Os promotores apontam para uma subida de 63 cêntimos por litro no preço do gasóleo durante o período que analisaram, de 1,59 para 2,22 euros. Argumentam que a rapidez do aumento dificulta a gestão dos contratos e reduz a margem das empresas. Por isso, pedem medidas que respondam às características da sua atividade e permitam conter os custos de operação.
Entre os participantes, a reivindicação centra-se numa redução significativa do preço do combustível. Os empresários sustentam que a resposta não deve limitar-se à atribuição de subsídios: querem que o peso do gasóleo nas suas despesas seja considerado nas decisões do executivo. A dimensão da marcha procurou dar visibilidade a um ramo que, dizem, raramente entra no debate sobre apoios aos transportes e à construção.
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, admitiu que estas empresas não foram abrangidas por medidas dirigidas a outras atividades e afirmou que as suas pretensões estão a ser analisadas. O governante comprometeu-se a ouvir os representantes do movimento antes de definir uma posição específica para o setor.
Para os organizadores, esse reconhecimento constitui um primeiro resultado da mobilização, mas ainda não resolve o problema que levou os camiões à estrada. A reunião com o Governo deverá esclarecer se haverá uma resposta concreta e de que forma poderá ser aplicada a empresas cujos custos dependem tão diretamente do gasóleo.
