CR7 fora de campo: o impasse que tirou Ronaldo do último jogo do Al-Nassr
Cristiano Ronaldo
Em mais um capítulo inesperado na carreira de Cristiano Ronaldo, o avançado português não alinhou no mais recente jogo do Al-Nassr, na principal liga de futebol da Arábia Saudita, numa decisão que ultrapassa a simples gestão desportiva e entra no terreno das divergências institucionais. A ausência do capitão figura entre os temas que mais polarizam o debate no futebol internacional, revelando tensões internas profundas no clube que representa.
A causa oficial para a ausência de Ronaldo não se prende com questões físicas ou disciplinarias mas, segundo relatos consistentes, está relacionada com um impasse entre o jogador e o fundo soberano que detém o controlo financeiro e estratégico de várias equipas no futebol saudita. Trata-se de uma situação que tem gerado desconforto e que, por ora, culminou na decisão do capitão de não ser incluído na lista de convocados para o embate que opôs o Al-Nassr ao Al-Riyadh.
O que se apurou é que Cristiano Ronaldo estará descontente com as recentes movimentações do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), o organismo estatal que detém uma parte substancial do capital social do clube e de outras agremiações do campeonato local. Na visão do avançado, a distribuição de recursos e a condução das decisões políticas e desportivas não têm beneficiado o Al-Nassr de forma equilibrada, sobretudo quando comparada com clubes rivais geridos pela mesma entidade.
O futebol saudita tem vivido uma era de grandes investimentos e contratação de estrelas. No entanto, o sentimento de que há um desequilíbrio nas prioridades tem alimentado frustrações dentro de um dos clubes mais emblemáticos do país. Ronaldo, que representa um dos maiores contratos individuais do futebol mundial e continua entre os principais marcadores do campeonato, entende que a estratégia do fundo não está a potenciar o clube com a mesma eficácia que a concorrência.
A insatisfação manifesta do jogador tem também impacto no plano interno do Al-Nassr. Treinadores e dirigentes veem-se agora a lidar com uma situação delicada em que um dos seus principais ativos optou por não alinhar, não por motivos técnicos ou de forma física, mas sim por divergências no modelo de gestão. Trata-se de um fenómeno raro no futebol profissional, em que figuras de topo raramente optam por se afastar de compromissos oficiais sem uma razão manifesta de força maior.
O descontentamento surge num momento delicado no campeonato, com o Al-Nassr a lutar por posições cimeiras e a três pontos de distância do líder da prova. Enquanto isso, outras equipas da mesma liga — também sob influência direta ou indireta do fundo soberano — têm reforçado os seus elencos com maior intensidade, aumentando a pressão competitiva e a expectativa à volta do desempenho do clube de Ronaldo.
Para além da leitura desportiva, esta situação expõe uma dimensão política e estrutural no futebol saudita que poucas vezes foi tão visível no caso de um atleta de renome global. A relação entre Ronaldo e a administração central do futebol no país parece ter atingido um ponto crítico, levantando questões sobre a sustentabilidade de modelos de gestão baseados em fundos soberanos e na sua influência direta nos clubes.
Enquanto muitos continuam a especular sobre as consequências a longo prazo para o jogador e para o Al-Nassr, o certo é que este episódio marca um ponto de inflexão. A ausência de Ronaldo de um encontro oficial é mais do que um facto desportivo: é um sinal claro de que, no futebol moderno, até as maiores estrelas enfrentam os limites entre a autoridade institucional e a sua própria agência individual.
Ronaldo, cuja carreira tem sido sinónimo de resiliência e recordes, enfrenta agora mais um desafio — não apenas dentro das quatro linhas, mas também no complexo tabuleiro dos bastidores do futebol.