Inundação repentina faz pelo menos 98 mortos no Nepal e mantém região sob ameaça

nepalllllllllllll (convert.io)

Um sismo de magnitude 4,4 terá provocado um deslizamento de gelo e rochas no Himalaia, bloqueando temporariamente um rio e originando uma violenta descarga de água. Partes do curso de água continuam obstruídas e existe o risco de novas inundações.

Uma inundação repentina de grande intensidade atingiu o Nepal, provocando pelo menos 98 mortos e deixando a região em alerta perante a possibilidade de uma nova ocorrência. O desastre resultou de uma sucessão de fenómenos naturais que começou com um sismo e culminou na libertação súbita de uma grande quantidade de água acumulada numa zona montanhosa.

O sismo, de magnitude 4,4, terá provocado um deslizamento de gelo e rochas numa região do Himalaia. Os detritos deslocaram-se rapidamente pelas encostas e acabaram por atingir o rio Lhende Khola, onde formaram uma barreira natural.

A acumulação de pedras, gelo e outros materiais interrompeu parcialmente o curso da água, criando uma espécie de barragem. Com o rio bloqueado, o volume de água retido começou a aumentar progressivamente, exercendo pressão sobre a estrutura formada pelos detritos.

A barreira acabou por ceder, libertando de forma repentina a água que se encontrava acumulada. A descarga avançou pelas zonas situadas a menor altitude, formando uma corrente de lama e água com elevada capacidade destrutiva.

O impacto foi particularmente grave devido às características geográficas da região. O Lhende Khola encontra-se numa zona de altitude e alimenta outros cursos de água localizados nos vales. Uma alteração súbita no seu caudal pode, por isso, produzir consequências muito para além do ponto onde ocorreu o bloqueio inicial.

Risco de novas inundações permanece

Apesar de a primeira barreira natural já ter cedido, o perigo ainda não desapareceu. Algumas partes do rio continuam bloqueadas pelos materiais resultantes dos deslizamentos e a água está novamente a acumular-se.

Qianggong Zhang, responsável pela área de riscos climáticos e ambientais do ICIMOD, alertou para a possibilidade de as novas barreiras sofrerem um processo semelhante ao ocorrido anteriormente.

Caso os bloqueios não suportem a pressão exercida pela água, uma nova descarga poderá atingir as zonas situadas a jusante, provocando outras inundações repentinas.

A situação mantém as autoridades locais em alerta, sobretudo devido à dificuldade em antecipar o comportamento de barragens naturais criadas por deslizamentos. Ao contrário das estruturas construídas pelo ser humano, estas barreiras são constituídas por materiais instáveis, como pedras, sedimentos e gelo.

O desastre demonstra também como diferentes fenómenos naturais podem desencadear uma sequência de acontecimentos com consequências graves. Neste caso, o sismo terá provocado o deslizamento que bloqueou o rio, enquanto a acumulação e posterior libertação da água deram origem à inundação.

Com pelo menos 98 vítimas mortais, a região enfrenta agora as consequências humanas e materiais da catástrofe enquanto permanece sob vigilância devido à possibilidade de novos episódios.

A prioridade passa por acompanhar os pontos onde a água continua represada e avaliar a estabilidade das barreiras formadas pelos detritos. Enquanto esses bloqueios permanecerem no curso do rio, o risco de uma nova libertação repentina de água continuará a representar uma ameaça para as comunidades dos vales do Nepal.