Milícia em massa: Maduro arma o país com 4,5 milhões de reservistas em resposta aos EUA

O presidente Nicolás Maduro anunciou a expansão de uma milícia composta por aproximadamente 4,5 milhões de combatentes civis, reforçando o discurso de defesa da soberania nacional diante da pressão internacional e das tensões históricas com os Estados Unidos. A medida foi apresentada como um “escudo protetor” contra o que o governo venezuelano considera ameaças externas e possíveis tentativas de desestabilização política.
Essa força, que integra civis treinados em funções militares, vem crescendo nos últimos anos como braço de apoio ao Exército oficial. O governo argumenta que a milícia é um instrumento legítimo de defesa popular, capaz de garantir que o país esteja preparado para responder a eventuais agressões. Entretanto, críticos apontam riscos de militarização excessiva da sociedade e questionam a real eficácia desse contingente diante de exércitos convencionais mais bem equipados.
A criação e expansão dessa estrutura ocorrem em meio a um cenário de forte polarização política interna. Para aliados de Maduro, a mobilização de milhões de cidadãos representa a união do povo em torno da pátria e um sinal de resistência frente a sanções e pressões externas. Para opositores, no entanto, trata-se de uma manobra para consolidar poder, intimar adversários políticos e manter o controle social através do medo.
Especialistas em segurança destacam que, embora o número de integrantes impressione, a capacidade operacional da milícia é limitada. O treinamento oferecido varia em qualidade, e parte dos integrantes não possui equipamentos adequados para combates modernos. Ainda assim, a dimensão simbólica dessa força não pode ser ignorada: trata-se de uma demonstração de lealdade ao governo e de mobilização de massas em torno de uma narrativa nacionalista.
O anúncio também tem repercussões internacionais. A relação entre Caracas e Washington continua marcada por acusações mútuas e por embargos econômicos que afetam diretamente a população venezuelana. Ao fortalecer a milícia, Maduro envia um recado político de que está disposto a resistir a qualquer tipo de intervenção externa.
Na prática, a medida reforça a estratégia de sobrevivência do atual governo, que aposta na mobilização popular e no discurso patriótico como forma de manter sua base de apoio. Para parte da população, a criação dessa força representa proteção diante de um cenário incerto; para outra, é apenas mais um capítulo de uma política que mistura segurança nacional e perpetuação no poder.
O futuro da Venezuela, nesse contexto, permanece cercado de incertezas. O fortalecimento da milícia pode consolidar o regime e afastar ameaças externas, mas também pode intensificar a divisão interna e o isolamento internacional. O certo é que o país continua a ser palco de um dos cenários políticos mais complexos da América Latina, onde cada passo dado pelo governo gera impactos que ultrapassam suas fronteiras.