China assume meta de crescimento mais moderada e admite desaceleração económica

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O Governo da China estabeleceu uma meta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5% e 5% para este ano, sinalizando que está disposto a aceitar um ritmo de expansão económica mais lento do que o registado no ano anterior, quando o crescimento atingiu cerca de 5%.

A estimativa consta de um relatório oficial divulgado pelas autoridades chinesas e reflete os desafios que a segunda maior economia do mundo enfrenta neste momento. Entre os principais factores apontados estão o consumo interno ainda moderado, a redução do ritmo de investimento e a fragilidade persistente do sector imobiliário, que durante décadas foi um dos motores do crescimento do país.

Caso o resultado final fique abaixo da marca de 5%, este poderá representar o crescimento anual mais fraco da economia chinesa em mais de três décadas, excluindo apenas o período marcado pela pandemia de Covid-19, quando as economias globais sofreram fortes impactos.

Em paralelo com o anúncio da nova meta económica, o Governo apresentou também o 15.º Plano Quinquenal (2026-2030), estratégia que continuará a apostar no fortalecimento da indústria tecnológica avançada e na busca pela autossuficiência tecnológica, considerada essencial para garantir competitividade internacional.

A China mantém uma posição de destaque em áreas estratégicas como veículos eléctricos, inteligência artificial e robótica. No entanto, enfrenta actualmente alguns desafios internos, incluindo pressões deflacionistas, excesso de oferta em determinados sectores industriais, lucros empresariais pressionados, estagnação salarial e níveis elevados de desemprego entre os jovens.

Perante este cenário, a nova meta de crescimento demonstra uma abordagem mais cautelosa por parte das autoridades chinesas, que procuram garantir estabilidade económica enquanto promovem transformações estruturais destinadas a sustentar o desenvolvimento do país a longo prazo.