Morte de Harald V encerra reinado de 35 anos e abre nova era na Noruega
Monarca morreu aos 89 anos após enfrentar problemas de saúde nos últimos anos. Conhecido pela modernização da realeza e pela defesa da tolerância, Harald deixa o trono para o filho Haakon, que já exercia funções de regente.
A Noruega encerrou um dos capítulos mais longos de sua história recente com a morte do rei Harald V, aos 89 anos. O monarca, que permaneceu por mais de 35 anos no trono, estava hospitalizado em Oslo após apresentar complicações de saúde e morreu na manhã desta sexta-feira (28).
Harald vinha reduzindo suas atividades públicas nos últimos anos. O rei enfrentou diferentes episódios de internação e recebeu um marca-passo permanente. Com o avanço da idade e as limitações físicas, também diminuiu significativamente sua agenda de compromissos oficiais.
Apesar dos problemas de saúde, Harald rejeitou ao longo dos anos a possibilidade de abdicar. O monarca defendia que o compromisso assumido ao chegar ao trono deveria ser mantido por toda a vida.
Com sua morte, a Noruega inicia uma nova etapa de sua monarquia. O príncipe herdeiro Haakon, de 53 anos, que já havia assumido temporariamente algumas funções durante os períodos de afastamento do pai, passa a ocupar o trono.
Um reinado marcado pela modernização
Harald tornou-se rei em 1991, após a morte de seu pai, Olav V. Ao longo das décadas seguintes, consolidou sua imagem como uma figura ligada à modernização da monarquia e à aproximação da instituição com as transformações da sociedade norueguesa.
Sua própria história pessoal representou uma mudança importante nos costumes da família real. Ainda como príncipe herdeiro, Harald casou-se, em 1968, com Sonja Haraldsen, que não pertencia à aristocracia. O relacionamento enfrentou resistência antes de ser aceito e posteriormente tornou-se um símbolo da abertura da realeza a novas convenções sociais.
O rei também ganhou reconhecimento por sua atuação em momentos delicados da história norueguesa. Após os atentados terroristas de 2011, que deixaram 77 mortos, Harald desempenhou um papel de união nacional e participou do processo público de luto.
Ao longo do reinado, também fez discursos em defesa da diversidade, da tolerância e da convivência entre diferentes grupos da sociedade.
Paixão pelo esporte e passagem pelo Brasil
Além das funções institucionais, Harald manteve uma relação próxima com o esporte. Apaixonado pela vela, participou de edições dos Jogos Olímpicos e teve trajetória de destaque na modalidade, chegando a conquistar um título mundial.
O monarca também teve uma experiência marcante no Brasil. Aos 76 anos, realizou o desejo de conhecer a Amazônia e passou alguns dias em contato com indígenas Yanomami. Durante a passagem pela região, vivenciou de perto aspectos da rotina e da cultura da comunidade.
Uma nova geração no trono
A morte de Harald ocorre em um período de desafios para a família real norueguesa. Episódios envolvendo integrantes da realeza provocaram debates públicos sobre a instituição, embora o rei tenha mantido significativa popularidade pessoal.
Haakon assume agora a responsabilidade de conduzir uma monarquia diferente daquela recebida pelo pai em 1991. A instituição está mais aberta e adaptada às mudanças sociais, mas enfrenta também o desafio de preservar sua relevância para as novas gerações.
Harald deixa a rainha Sonja, os filhos Märtha Louise e Haakon e cinco netos. Sua morte encerra mais de três décadas de reinado e marca o início de uma nova fase para a monarquia da Noruega.
