Arrendar casa volta a pesar no orçamento das famílias portuguesas
O mercado de arrendamento em Portugal voltou a registar uma aceleração dos preços, interrompendo o movimento de descida observado anteriormente. O valor mediano das rendas atingiu 18,1 euros por metro quadrado, embora o comportamento do mercado continue a revelar fortes diferenças entre cidades e regiões.
Arrendar uma habitação em Portugal tornou-se novamente mais caro. As rendas registaram uma subida anual de 4,9%, consolidando um segundo período consecutivo de aumento e afastando o mercado da trajetória de redução que tinha marcado os meses anteriores.
O preço mediano pedido pelos proprietários passou para 18,1 euros por metro quadrado, num contexto em que a procura continua elevada e a oferta de imóveis destinados ao arrendamento permanece limitada em várias zonas do país.
A evolução, contudo, está longe de ser uniforme. Entre as principais cidades portuguesas encontram-se movimentos em sentidos opostos. Lisboa continua a liderar entre os mercados mais caros, com uma renda mediana de 24,5 euros por metro quadrado e uma valorização anual de 7%.
No Porto, a realidade é diferente. As rendas recuaram 6,3%, embora a cidade continue entre as mais dispendiosas, com um valor mediano de 18,6 euros por metro quadrado. O Funchal surge logo depois, com 17,3 euros.
Entre as cidades analisadas, algumas registaram aumentos particularmente expressivos. Viana do Castelo apresentou uma subida anual de 32,2%, enquanto Aveiro avançou 23,8%. Funchal e Braga também registaram crescimentos superiores a 10%.
No sentido contrário, Coimbra apresentou uma redução de 8,2%, enquanto Faro e Porto também registaram quedas superiores a 6%. Viseu manteve-se praticamente estável.
As diferenças tornam-se igualmente evidentes quando são considerados distritos e ilhas. Lisboa mantém-se como o distrito mais caro para quem procura uma casa para arrendar, com 22,2 euros por metro quadrado, seguido de Faro, com 21,3 euros. A Madeira, o Porto e Setúbal completam o grupo dos territórios com valores mais elevados.
Na extremidade oposta encontra-se a Guarda, onde o preço mediano ronda os seis euros por metro quadrado. Portalegre, Bragança, Vila Real e Viseu também apresentam valores consideravelmente inferiores aos observados nas zonas de maior pressão habitacional.
A análise regional confirma as assimetrias. O Algarve registou o crescimento mais acentuado das rendas, com uma valorização anual de 22,8%. Seguem-se o Alentejo, com 11%, a Madeira, com 10,3%, e os Açores, com 8,8%. A Área Metropolitana de Lisboa avançou 7,6% e o Centro 4,2%.
O Norte foi a única região onde os preços recuaram, com uma quebra de 6,3%. Apesar disso, continua a apresentar um valor mediano de 14,5 euros por metro quadrado.
A Área Metropolitana de Lisboa permanece como a região mais cara do país, atingindo 21,5 euros por metro quadrado, ligeiramente acima do Algarve, onde o valor chega aos 21,3 euros.
O novo movimento de subida coloca novamente o arrendamento no centro das preocupações relacionadas com a habitação. A escassez de oferta residencial e a pressão da procura continuam a condicionar o acesso a uma casa, ao mesmo tempo que as dificuldades na aquisição de habitação podem levar mais famílias a procurar soluções no mercado de arrendamento.
Num país marcado por profundas diferenças territoriais, os números mostram que encontrar uma casa para arrendar continua a depender fortemente da localização. Enquanto algumas zonas apresentam sinais de alívio, outras mantêm uma trajetória de valorização significativa, prolongando os desafios de acesso à habitação.
