Extrema-direita lidera votação de portugueses residentes no Brasil e expõe fraca adesão eleitoral
A votação dos cidadãos portugueses residentes no Brasil na eleição presidencial revelou um quadro expressivo de apoio à extrema-direita, contrastando com os resultados globais registados em território nacional. O candidato André Ventura, fundador e principal rosto do partido Chega, foi o mais votado nos consulados portugueses em solo brasileiro, concentrando quase metade dos votos apurados.
Ventura alcançou 48,81% da preferência entre os eleitores que participaram do sufrágio no Brasil, um desempenho significativamente superior ao obtido no conjunto do eleitorado em Portugal. O resultado confirma a força do discurso do Chega junto de segmentos da diáspora portuguesa, em especial entre eleitores que demonstram descontentamento com os partidos tradicionais e maior sensibilidade a temas como imigração, identidade nacional e crítica às elites políticas.
Na segunda posição ficou António José Seguro, que reuniu 21,9% dos votos, menos de metade do apoio alcançado por Ventura. A diferença expressiva entre os dois candidatos evidencia uma clara concentração do voto num projecto político de matriz populista e nacionalista entre os portugueses residentes no Brasil que optaram por exercer o direito de voto.
O acto eleitoral decorreu em dez consulados portugueses espalhados pelo território brasileiro. Apesar de mais de 300 mil eleitores estarem inscritos para votar no Brasil, apenas 5.647 compareceram às urnas, revelando uma taxa de participação particularmente baixa. Este dado levanta preocupações recorrentes sobre o afastamento político de parte significativa da comunidade portuguesa no estrangeiro e o impacto que a abstenção tem na representatividade dos resultados.
Analistas sublinham que contextos de reduzida participação tendem a favorecer forças políticas com eleitorados altamente mobilizados e ideologicamente coesos. No caso do Brasil, o discurso de André Ventura parece encontrar terreno fértil junto de portugueses que acompanham a política nacional à distância, mas que mantêm uma visão crítica sobre a governação, o sistema partidário e as transformações sociais em Portugal.
Embora o resultado nos consulados brasileiros não determine, isoladamente, o desfecho global da eleição presidencial, ele funciona como um indicador relevante do estado de espírito de uma parte da diáspora. Mostra também como o voto no exterior pode revelar dinâmicas próprias, distintas das registadas no território nacional.
O desempenho do Chega entre os portugueses no Brasil reforça a consolidação do partido como uma força política com alcance além-fronteiras, ao mesmo tempo que volta a colocar no centro do debate a necessidade de estimular a participação cívica dos cidadãos portugueses residentes no estrangeiro.