França critica método dos EUA na captura de Maduro, mas defende transição democrática na Venezuela

 

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o método utilizado pelos Estados Unidos para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro não contou com o apoio nem com a aprovação do governo francês. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Ministros e divulgada à imprensa pela porta-voz do governo, Maud Bregeon, marcando uma posição cautelosa de Paris diante do episódio que elevou a tensão diplomática internacional.

Segundo a porta-voz, Macron reiterou que a França defende o respeito ao direito internacional e à autodeterminação dos povos, princípios que, na avaliação do governo francês, devem orientar qualquer ação no cenário global. Embora tenha se posicionado de forma crítica em relação à forma como a operação foi conduzida por Washington, o presidente francês classificou a saída de Maduro do poder como um acontecimento positivo para a população venezuelana.

De acordo com Macron, Maduro governava de forma autoritária, tendo confiscado liberdades fundamentais e comprometido o processo democrático no país. O presidente francês afirmou que o líder venezuelano “roubou as eleições” e privou o povo de seus direitos políticos, o que, em sua visão, causou danos profundos à dignidade nacional e à soberania popular.

A França também reafirmou seu entendimento sobre o processo eleitoral venezuelano, sustentando que a vontade popular se manifestou de forma clara nas eleições presidenciais reconhecidas por parte da comunidade internacional. Nesse contexto, Macron defendeu que, caso haja uma transição política efetiva, o opositor Edmundo González Urrutia, apontado por diversos países como vencedor do pleito, deve desempenhar um papel central na reconstrução institucional da Venezuela.

A posição do presidente francês surge após críticas internas, sobretudo de setores da esquerda, que questionaram sua primeira reação pública ao episódio. Inicialmente, Macron havia se manifestado celebrando o fim do regime de Maduro, sem mencionar diretamente o método empregado pelos Estados Unidos para a captura do líder venezuelano. A ausência de comentários sobre a operação militar foi interpretada como uma omissão, o que levou o governo a esclarecer sua posição nos dias seguintes.

Apesar das ressalvas quanto à ação norte-americana, Macron manteve um discurso firme contra o regime venezuelano. Em manifestação anterior nas redes sociais, afirmou que o povo da Venezuela estava livre de uma ditadura e que havia razões para celebrar o fim de um governo marcado pela repressão e pelo cerceamento de liberdades.

Com isso, a França busca equilibrar sua condenação ao autoritarismo de Maduro com a defesa dos princípios do direito internacional, sinalizando apoio a uma transição democrática, mas sem endossar intervenções que, segundo Paris, desrespeitem normas e procedimentos internacionais.