Irão endurece repressão a protestos e ameaça manifestantes com pena de morte
As autoridades iranianas intensificaram a repressão aos protestos que se espalham por várias regiões do país, elevando o tom das advertências e admitindo a aplicação da pena de morte contra manifestantes. A escalada ocorre num contexto de expectativa de novos atos de contestação na noite de sexta-feira (9), aumentando a tensão política e social no Irão.
O líder supremo do país, Ali Khamenei, declarou que a República Islâmica não irá tolerar “vandalismo” nem ações atribuídas a “mercenários de potências estrangeiras”. As declarações foram divulgadas pela emissora estatal Press TV, que tem acompanhado de perto a posição oficial do regime diante das manifestações.
O endurecimento do discurso foi reforçado por autoridades judiciais da capital. Um procurador de Teerão advertiu que pessoas envolvidas na destruição de património público poderão ser condenadas à morte, uma ameaça que gerou preocupação entre organizações de direitos humanos e observadores internacionais. Para o governo iraniano, os protestos ultrapassaram os limites da contestação pacífica e passaram a representar uma ameaça direta à ordem pública e à estabilidade do Estado.
Também o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, força militar responsável pela defesa dos princípios da Revolução Islâmica de 1979, divulgou um comunicado em tom duro. A corporação afirmou que “a continuação desta situação é inaceitável” e declarou ter o direito de retaliar o que classificou como “atos terroristas”, sinalizando uma possível intensificação da resposta de segurança.
A postura adotada pelas autoridades indica que o regime pretende conter os protestos com medidas severas, apostando na dissuasão por meio de punições extremas. Enquanto isso, a população iraniana permanece sob forte vigilância, num cenário marcado por incerteza, repressão e crescente isolamento internacional.